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terça-feira, 31 de março de 2020

Símbolos de Portugal - Vinhos

N2114d.jpgO Vale do Douro também podia ser chamado de vale encantado tal a beleza e encantamento que as suas paisagens oferecem.

Com partida do Porto, onde o rio desagua e onde desaguam também os vinhos do Douro (de mesa) e do Porto (vinho generoso) produzidos nas suas encostas, podemos conhecer de várias maneiras esta Paisagem Cultural, classificada Património Mundial: por estrada, de comboio, num barco de cruzeiro, ou até de helicóptero. Nenhuma delas nos vai deixar indiferentes.

Num percurso pelos Miradouros que oferecem as melhores vistas, teremos que cruzar o rio de norte para sul e vice-versa. Mas no caminho podemos admirar paisagens deslumbrantes sobre o rio e visitar vinhas, vilas e aldeias até chegar a Miranda do Douro, onde o rio entra em Portugal.

Começamos por visitar em Vila Nova de Gaia as caves onde o vinho do Porto envelhece. Ficamos a conhecer um pouco melhor este vinho aproveitando, como não poderia deixar de ser, para provar o precioso néctar. E no rio ainda hoje podemos apreciar antigos barcos rabelo, os únicos que transportavam o vinho das quintas produtoras até à foz antes da construção das várias barragens que tornaram o rio navegável.

No Peso da Régua, o Museu do Douro dá-nos a conhecer outra perspetiva da cultura do vinho e da região. Não longe, mas na margem sul, fica Lamego, uma das mais bonitas cidades do norte de Portugal, situada na base duma imensa escadaria de azulejos azuis e brancos que leva ao Santuário de Nossa Senhora dos Remédios. No Pinhão, mesmo à beira do rio, a estação de caminhos de ferro é de visita obrigatória para ver os seus antigos azulejos dedicados à cultura da vinha.

Antes de chegar ao Pocinho, podemos fazer um desvio na margem sul para conhecer o castelo de Numão e apreciar a vista sobre o horizonte. Pouco mais a leste fica o Parque Arqueológico de Foz Coa, uma galeria de arte rupestre ao ar livre classificada Património da Humanidade, assim como o respetivo Museu em Vila Nova de Foz Coa.

Chegando a Barca de Alva entramos no Parque Natural do Douro Internacional já que o rio daqui até Miranda do Douro faz fronteira entre Portugal e Espanha. Neste percurso o rio corre apertado entre altas escarpas até chegar à pequena cidade raiana onde entra em Portugal.

Até Barca de Alva, o Alto Douro Vinhateiro é também a mais antiga região vinícola demarcada do Mundo. O rio fez a primeira obra cavando na terra os vales profundos, enquanto o Homem transformou as montanhas de xisto em terra e muros e nela plantou a vinha, verde no verão, cor de fogo no outono. Com uma sabedoria herdada de gerações, inclinou os terraços para que os raios de sol abracem as videiras e deem às uvas o calor de que o vinho precisa. Por isso dos frutos da terra e do trabalho do Homem se fez este vinho e esta paisagem únicos.

terça-feira, 24 de março de 2020

Símbolos de Portugal - Guitarra Portuguesa

   A guitarra portuguesa, constituída por seis pares de cordas, é o símbolo nacional do Fado.
 
   Este é considerado o género musical mais representativo de Portugal, expressando a melodia e ritmo da cultura popular portuguesa, mais especialmente a lisboeta.
 
   Reflete as dificuldades e vicissitudes próprias da vida, nomeadamente daqueles que pela dificuldade diária dos seus trabalhos e formas de subsistência sentem a dureza da vida; dos que sofrem por amor; dos que recordam alguém ou algo que está parcial ou definitivamente longe.
 
   O Fado, geralmente cantado a solo (por uma só pessoa) e acompanhado por uma guitarra clássica e por uma guitarra portuguesa, é resultado de uma vida junto ao mar e, que neste, encontra a única alternativa para uma vida melhor ou, pelo menos, para garantir uma refeição digna ao final do dia. Originário de um povo costeiro, que se lançou no séc. XV no empreendimento da expansão marítima que os conduziu a terras bem distantes: Japão, Índia e Brasil, e construiu na mentalidade portuguesa um sentimento único e inexplicável - a saudade. Traduzível como uma espécie de melodia, sentimento de falta ou mesmo tristeza que se prolonga no tempo e desenvolve uma espécie de incómodo, relacionado com o querer alcançar algo, que não se sabe bem o quê, mas que se sente como algo melhor e mais digno da condição humana, uma espécie de V império na terra, em que a fé cristã promoveria a paz e a felicidade em todo o mundo.
 
   Em suma, o fado canta a dor provocada pelo sofrimento humano: originado pela ausência, pelo amor, ódio, ciúme, inveja, pela tragédia, pela sina e sensação de desgraçadamente condenado à prisão que em que a vida se torna. Descreve a luz e as sombras da cidade, a esperança e a fatalidade, o nascimento e a morte, o eterno ciclo da vida com a constante certeza que tudo culmina na morte. Daí que a letra melódica e saudosista seja afrontada com um ritmo contrastante das guitarras e um compasso humorístico do fadista que reflete bem a luta quotidiana do ser humano com a imprevisibilidade da vida.